Apesar da crise, comércio eletrônico mantém confiança no setor

em jul 19, 2016:por

Gabriel Lima

Gabriel Lima é Graduado em Publicidade & Propaganda pela ESPM e Mestre em Administração de Empresas pelo Insper com ênfase em estratégia. Diretor da eNext, consultoria especializada em e-commerce e professor da Business School São Paulo.

A 7a edição do índice de confiança dos varejistas de comércio eletrônico produzido pela consultoria independente Enext desde o inicio de 2013 e que a partir deste ano passou a contar com o apoio da ABComm, principal associação de empresas de comércio eletrônico no Brasil, apresenta indicadores interessantes sobre a expectativa deste mercado e mostra que a economia digital, além de continuar aquecida apesar do momento político-econômico, traz a tona uma retomada da confiança dos empresários na intenção de investimentos e no desenvolvimento dos negócios digitais no Brasil, demonstrando uma sinalização positiva no meio de um oceano de pessimismo.

A pesquisa contou com a participação de 373 respondentes entre os dias 07 a 14 de Junho de 2016, e foi dividido em três blocos de perguntas. O primeiro procurou avaliar questões sócio-demográficas como o tipo de empresa, a categoria a qual pertence e a unidade federativa.  O segundo bloco tratou da intenção de investimento dos varejistas e finalmente o ultimo bloco procurou entender quais as iniciativas os varejistas estão procurando fortalecer no atual momento do mercado.

Neste primeiro bloco, a primeira pergunta, referente ao tipo de negócio que o respondente se encontra mostrou que há uma grande concentração de varejistas apenas online 35,7% e Multicanal com 29,5%. Interessante notar o fato de que apenas 4,3% dos respondentes vieram da Industria, demonstrando que ainda há uma forte intermediação de canal, apesar da tendência de crescimento da participação da indústria no E-commerce nos últimos anos como atraídos pelas iniciativas B2B e pela oportunidade de contato direto com os consumidores.

Tabela 1: Tipo de Varejista

grafico1

A segunda questão procurou entender a qual categoria o e-commerce pertence. Observou-se na amostra que mais da metade dos respondentes pertencem a apenas 7 categorias, sendo que destes, aproximadamente um quinto são varejistas da categoria de Moda & Acessórios, fato que corrobora com as últimas pesquisas do E-bit que apresentam a categoria como sendo a principal em volume de pedidos no país. Curioso notar a participação de 6,4% para Alimentos e Bebidas, que tem crescido em volume de forma consistente nos últimos anos. Também interessante notar Informática com apenas 4,5%, possivelmente devido aos desafios encontrados no setor nos últimos anos, bem como a concentração de grandes players como B2W, Cnova, Wal-mart, entre outros.

 

Tabela 2: Varejistas por Segmento

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A terceira questão abordou a região onde as empresas se encontram e não houveram surpresas. Os E-commerces estão concentrados em sua maioria no estado de São Paulo com 47,8% dos respondentes, sendo que a região Sudeste e Sul somadas tem quase a totalidade das empresas de E-commerce no Brasil.

Tabela 3: Respondentes por Região

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Já entrando no segundo bloco, que trata da expectativa de investimentos, a quarta questão procurou identificar se os empresários pretendem Aumentar, manter ou diminuir o investimento. O resultado surpreendente mostrou que a maior parte dos negócios com 69,7% dos respondentes pretendem aumentar o investimento em E-commerce no Brasil nos próximos 3 meses, enquanto que apenas 3,8% pretendem diminuir. Este fato pode ser resultado do crescimento constante do e-commerce e de negócios digitais como apontado pelo E-bit, em detrimento a expectativa de queda do PIB e a forte desaceleração do varejo físico, cujas vendas segundo dados do IBGE recuaram 7% no primeiro trimestre de 2016.

Tabela 4: Expectativa de Investimento no E-commerce

grafico 4

Outro fator relevante que pode ser observado pela pesquisa quando granularizamos a intenção de investimento é notar que a maior parte dos empresários (42%) pretendem aumentar entre 5-25% o total de investimentos em iniciativas de e-commerce para os próximos 3 meses e que aproximadamente um quarto dos empresários devem ao menos manter o volume investido no online.

Tabela 5: Expectativa de Investimento no E-commerce

grafico5

O terceiro bloco e último bloco questiona os empresários a avaliar onde os varejistas em quais tipos de iniciativas de e-commerce pretendem investir. Neste quesito, observamos destaque para Redes Sociais (44%), Email Marketing (43%) e SEO (43%), seguido por plataforma de E-commerce (35%).

No caso de Redes Sociais, o aumento crescente desta mídia na tomada de decisão de compra e o empoderamento dos influenciadores faz com que este seja um canal cada dia mais atrativo para fortalecimento da marca e conquista de novos consumidores. Um fato que pode pesar nesta análise é o grande volume de respondentes pertencerem ao segmento de Moda & Acessórios, que tradicionalmente trabalha com estas iniciativas de maneira mais estruturada.

Outro destaque é o interesse por otimizar as iniciativas de E-mail Marketing, que demostra claramente o intuito do empresário de investir em sua carteira de clientes, aumentando o potencial de recompra de sua base através de réguas de relacionamento e CRM ao invés de buscar novos consumidores através de canais de mídias tradicionais, cada dia mais caros, apresentado pela falta de interesse em mídia programática como um dos canais menos propensos a investimento.

Finalmente o interesse do empresário por aumentar o investimento em SEO e plataforma de e-commerce demostra a crescente maturidade dos players que buscam otimizar sua operação através de investimentos em ferramentas cujo retorno tende a ser de longo prazo.

Tabela 6: Qual iniciativa pretende investir no E-commerce

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Podemos concluir que o mercado de comércio eletrônico está descolado da realidade brasileira e a confiança no segmento mostra que o varejo está apostando no canal como uma solução para a crise. Por outro lado, é interessante notar que a maturidade dos varejistas é cada vez maior e que os investimentos estão mais direcionados para canais mais eficientes como E-mail Marketing e SEO em detrimento as mídias tradicionais de aquisição de clientes, e alinhados com as demandas dos consumidores como Redes Sociais. O desafio ainda é grande, mas a perspectiva é promissora.

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