Crise e onda do desapego impulsionam e-commerce de artigos de grife usados

em fev 05, 2016:por

Redação Next Ecommerce

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A bastecido com bolsas das mais diversas grifes, o guarda-roupas da empresária carioca Luiza Lessa tem potencial para causar inveja até em suas melhores amigas. São peças assinadas por marcas como Fendi, Prada, Gucci, Marc Jacobs, Chanel, e que vão desde as pequenas clutches até modelos para o dia a dia. Há cerca de três meses, porém, Luiza percebeu o óbvio: muitas dessas bolsas não saíam do armário há anos – algumas sequer haviam sido usadas. As queridinhas da coleção continuam lá, mas cinco delas foram colocadas à venda no site BagMe.

Entre elas uma Louis Vuitton, repassada por R$ 2,5 mil (o mesmo modelo, na loja da grife francesa, custa R$ 4,5 mil). “Sei que paguei muito mais por elas. Ao mesmo tempo, era algo que estava ali parado. Sinto até como se tivesse saído no lucro”, conta a carioca, de 28 anos. Luiza não está sozinha. Ela faz parte de um movimento recente no País, sobretudo nas grandes capitais, de defesa ao desapego e que acabou transformando a revenda em algo louvável e cool. E não são apenas os consumidores que saem ganhando. Sites como Peguei Bode, Madame Reclica e Enjoei experimentam um crescimento acima de 100% ao ano.

E, enquanto o varejo tradicional sofre com a crise que afeta o País, o e-commerce de artigos usados tem muito a ganhar com a atual conjuntura. “Tem aquela pessoa que está passando por dificuldade financeira e quer se desfazer de um bem. Mas o dólar alto, sem dúvida, tem sido nosso grande aliado”, conta Daniela Carvalho, 30 anos, fundadora do Peguei Bode, site com mais de 7 mil artigos de luxo à venda. “Tenho clientes que costumavam comprar bolsas de grife no exterior e que deixaram de viajar, comprando conosco”, diz a empresária. Criado há cerca de cinco anos, o Peguei Bode surgiu a partir de um projeto pessoal, sem pretensões comerciais.

Daniela e a irmã, Gabriela Carvalho, ambas fashionistas, decidiram colocar algumas peças do guarda-roupa para vender, usando o Facebook. “Fizemos isso de madrugada, na insônia, e no dia seguinte já tínhamos vendido algumas coisas”, conta Daniela. A ideia ganhou público, virou site e, em pouco tempo, já havia se tornado referência entre as socialites paulistanas. O acervo é abastecido apenas com peças de pessoas conhecidas ou indicadas, regra que ajuda a garantir a autenticidade e o bom estado dos itens. A rede de relacionamentos das irmãs foi essencial não só para o boca-a-boca, mas também para atrair aquelas vendedoras que preferem manter o anonimato.

“O preconceito com artigos usados diminuiu bastante, mas ainda há pessoas que não querem se expor. Tem gente famosa, por exemplo, que ganhou uma bolsa de presente e prefere manter o anonimato”, diz a sócia do Peguei Bode. A comissão do site é definida caso a caso e fica em torno de 40%. Daniela não revela o faturamento, mas dá uma dica. “Já fomos procurados por investidores, interessados em apostar no nosso site, mas recusei. É muito rentável já, não vi necessidade”, conta. Enquanto no velho e bom brechó de rua as peças costumam ter baixa qualidade e ficar apinhadas nos cabides, na revenda online o visual é a alma do negócio.

Produtos bem fotografados, principalmente em fundo branco, são os mais visados pelos consumidores. O fator é tão importante que as empresárias Elisa Melecchi e Luiza Nolasco, fundadoras do BagMe, decidiram comprar um estúdio de fotografia apenas para clicar as bolsas à venda no site. Ao contrário da maioria dos brechós online, que recebem as imagens dos próprios clientes, elas optaram por assumir essa tarefa e, assim, garantir um visual arejado para a marca, parecido com um e-commerce tradicional. “A gente faz um trabalho mais personalizado. Checamos pessoalmente a autenticidade de cada bolsa e mantemos todas elas em nosso escritório.

Assim as clientes podem nos visitar e ver as peças de perto”, conta Elisa.“A venda de artigos usados é muito comum nos Estados Unidos e na Europa, mas o brasileiro sempre teve um pouco de preconceito. Isso parece estar mudando”. A tecnologia tem contribuído bastante para isso. Ferramentas como Instagram e Facebook facilitaram a divulgação dos produtos, enquanto meios de pagamento virtual como Paypal e Moip simplificaram as transações financeiras. Isso sem mencionar a popularização dos smartphones. O site Enjoei, que vende artigos usados de todos os tipos e não apenas de luxo, realiza mais de 50% de seu volume de negócios por meio de aplicativo.

A plataforma, que cobra 20% de comissão em cada transação, permite que os usuários troquem mensagens e barganhem, tornando o processo de compra e venda mais dinâmico. Com descrições divertidas e um visual descolado, o Enjoei tornou-se um dos brechós virtuais mais usados do País, com 2 milhões de usuários cadastrados e 1,6 milhão de produtos à venda. No ano passado, o faturamento ultrapassou os R$ 120 milhões, um crescimento de 170% sobre 2014. “Não adianta ter um produto mais barato. A experiência de compra e venda tem de ser simples, prática. Tem de ser até prazerosa”, diz o empresário Tiê Lima, um dos fundadores do Enjoei. “A pessoa passa a gostar de vender, na crise ou não”.

Fonte: Isto é Dinheiro

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