Drops South By Southwest 2016 Day 4

em mar 16, 2016:por

Gabriel Lima

Gabriel Lima é Graduado em Publicidade & Propaganda pela ESPM e Mestre em Administração de Empresas pelo Insper com ênfase em estratégia. Diretor da eNext, consultoria especializada em e-commerce e professor da Business School São Paulo.

Hoje sem dúvida foi o dia mais quente do SXSW 2016, não só pela temperatura que chegou aos 33 graus, como também pelas palestras mais eletrizantes do evento, como a de JJ Abrams diretor do último Star Wars, Kevin Plank, CEO da Under Armour, Stewart Butterfield, CEO do Slack, John Maeda do MediaLab do MIT entre outros ícones da tecnologia, negócios e entretenimento.

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O primeiro painel que assisti hoje logo pela manhã foi sobre Gamificação, ou Gamefication, que tem uma importância cada vez maior hoje em dia, com a quantidade de informações disponíveis e com a dificuldade de atrair a atenção das pessoas.

O painel foi moderando por Dutch Driver da Choragus Consulting e contou com Monica Cornetti da Sententia Gamification Consortium, Ross Smith da Microsoft/Skype e Yu-kai Chou da Octalysis Group e autor do livro Actionable Gamification: Beyond Points, Badges, and Leaderboards.

Os panelistas começaram moldando o que é Gamification que não é uma tecnologia e também não é marketing e sim uma metodologia, para ajudar negócios e empresas a atingirem determinados objetivos como aumentar o engajamento, aumentar a recorrência ou recompra e mesmo realizar tarefas fazendo com que o cliente ou usuário se divirta ao mesmo tempo.

Em seguida os panelistas falaram um pouco sobre a história e evolução do Gamefication, que começou em 2003 com o ganho dos pontos, badges e recompensas, depois evolui para uma forma mais competitivas, de uma pessoa contra outra, rankeamento em relação aos pares e, nesse momento as pessoas começaram a achar que não tem mais controle da situação, que ficou agressivo. Agora o próximo passo é o de dar sentido dar um sentido de participação em algo épico que engaje e faça as pessoas se sentirem bem.

Finalmente foram abordados alguns aspectos mais táticos de como operacionalizar uma estratégia de Gamefication, onde primeiramente deve se pense na estratégia e no design do game e depois pense na tecnologia para implementar, e que não é só ter um programa de badges, mas é necessário construir uma história e alimentá-la ao longo do tempo: Precisa ter uma jornada.

Finalmente a forma como deve ser feita, foi baseada em alguns pontos como: Criar uma estratégia para fazer a pessoa dar check-in todos os dias, com ganchos no final de cada ação para fazer com que as pessoas tenham interesse de partir para a próxima.

Direcionar urgência com escassez, como você só tem 2 horas para fazer ou só até o dia tal. Montar estratégias baseadas em ciência comportamental e psicologia. Procurar não usar dinheiro como recompensa, que é o maior desmotivador de qualquer modelo de Gamefication, uma vez que você atrela a dinheiro, nunca mais você consegue voltar.

Na sequencia assisti a uma das melhores palestras do evento e sem dúvida alguma a mais bem estruturada de todas, a do renomado professor do MIT e autor do livro Laws of Simplicity John Maeda sobre design de relatórios de tecnologia.

O professor começou falando que ha 20 anos atrás você mal usava computadores, uma ou duas vezes por dia no máximo, mas que hoje o computador vive com você, faz parte da sua vida e experiência, por isso tem que ser bem desenhado, senão você não aguenta e é ai que entra a importância do Design.

Alguns exemplos ilustram essa escalada na importância do Design como empresas de consultoria como Deloite, Capegemini, Accenture, KPMG comprando empresas de design, aumento do número de designers trabalhando em fundos de investimento e aumento do número de designers empreendedores.

Ele mencionou que o design contemporâneo tem três frentes distintas: Design Clássico, que é o ensinado hoje em escolas de design, arquitetura e artes, Design Think, que é aplicado ao mundo dos negócios e ao dia-a-dia do processo de design e Design Digital.

Por outro lado, segundo o professor as escolas atuais não estão preparadas para formar Designers para o desafio do mundo digital, nem para a importância que o mundo dos negócios esta dando para a disciplina. Falta de conhecimento de analytics, negócios e finanças. Além do mais o designer não precisa ser um super-programador, mas precisa ter conhecimentos básicos de código, que precisa ser ensinado.

Seguindo na mesma linha, as empresas que estão cada dia mais digitais e cada dia mais preocupadas em dar experiências únicas para seus clientes estão cada vez mais direcionando a inovação e pautando a estratégia pelo Design e com isso buscam talentos e estão interessadas em investir para trazer designers para o negócio, além de terem aumentado o número de executivos que são designers.

Como exemplo Maeda usou o Google, que recentemente lançou uma iniciativa chamada Google Ventures Sprint (http://www.gv.com/sprint/) e foi recentemente reconhecida como a empresa que mais esforços vem fazendo para melhorar seu design como um todo.

Na sequencia assisti a palestra com o Fundador e CEO da Under Armour, Kevin Plank para falar como a empresa criou um ecossistema tecnológico em torno da marca.

O cara é impressionante, tem uma presença muito forte e começou contando como montou o negócio na garagem da casa da avô e não teve nenhum investimento, por isso pegava o fluxo de caixa e ia apostar no 21 em Atlantic City para capitalizar o negócio até um dia que perdeu tudo, e não tinha dinheiro nem para pagar o pedágio de volta para casa. Chorou para a pessoa da cobrança e ela deixou ele passar.

Ele falou que nunca teve uma visão perfeita do que é a Under Armour, mas sempre acreditou que daria certo. Pensou sempre em fazer o melhor produto possível. Começou fazendo roupas de baixo para jogadores de futebol americano, começou a ser usado por vários outros esportistas sem que ele jamais houvesse pensado nisso e ai o negócio decolou, sendo hoje uma empresa de capital aberto de mais de US$ 18 bilhões de valor de mercado.

Disse também que a empresa tem que contar uma história, cada produto, cada atleta patrocinado é um capitulo, e o papel da empresa é fazer com que essa história tenha um significado, faça sentido.

Hoje eles estão investindo fortemente no digital, há 5 anos atrás tinha somente 20 engenheiros na empresa, e que hoje o que a empresa mais contrata são engenheiros.

Querem deixar de ser uma marca que faz apenas tênis e camisetas para ser uma empresa que olha para a performance do consumidor. Para fazer isso precisa entender a saúde do consumidor e a tecnologia pode fazer isso lançando vários aplicativos com o intuito de construir a maior comunidade de saúde e esporte digital do mundo como o Under Armour Record (https://record.underarmour.com/).

Logo depois veio o painel mais inspirador de todos com os diretores JJ Abrams que no ano passado dirigiu Star Wars: The Force Awakens e Andrew Jarecki da serie na HBO The Jinx.

O tema da palestra era intrigante: O olhar de Robôs e Assassinos. Confesso que no inicio achei que ia ser meio furada e estava mais interessado em ouvir o que o JJ tinha a falar sobre Star Wars, mas o desfecho foi surpreendente.

JJ Começou falando que o grande desafio de fazer Star Wars foi o de como colocar emoções humanas com tanta tecnologia envolvida, de tentar parecer que não era tudo gerado com computador no máximo possível de vezes. Segundo ele o essencial para isso foi fazer uma história autêntica e deixar a tecnologia em segundo plano, buscar criar um clima analógico e não digital.

Até ai tudo certo, eu que sou grande fã de Star Wars fiquei fascinado com o filme e, claramente parte da explicação é essa sensibilidade do diretor. Foi ai que o negócio começou a ficar interessante.

JJ falou que a evolução da tecnologia levará a humanidade para um momento onde os robôs possivelmente terão algum tipo de consciência, e levantou uma questão: Será que teremos compaixão por eles? Como será essa nossa relação com as máquinas tão presentes em nosso dia-a-dia e que com a evolução da Robótica, impressoras 3D, Inteligência Artificial, Realidade Virtual, Data Science, entre outros temas que foram tão falados durantes esses dias na SXSW ficarão ainda mais essenciais?

Bem, aí entrou em cena o diretor Andrew Jarecki que fez uma série na HBO chamada The Jinx: The Life and Deaths of Robert Durst que conta a história de um assassino multimilionário que matou diversas pessoas e só recentemente foi preso (na mesma época em que passava a série).

O ponto levantado é o de que foi possível criar compaixão nas pessoas por um assassino através da série. Sendo assim, se você tem a capacidade de ter compaixão por um assassino, que tira a vida de outras pessoas, será que teremos compaixão com os robôs, que terão consciência, mas não tem vida?

 

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