E-commerce: mantenha o espírito inconformado

em ago 18, 2015:por

Roni Cunha Bueno

Graduado em Marketing pela ESPN, Roni participou de importantes projetos da internet brasileira. Na Netshoes, onde ocupou esteve à frente do Marketing da empresa. Como CCO do Terra, liderou projetos como o Planeta Terra Festival e o reposicionamento da empresa. Co-Founder da Organica.
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Primeiramente, quero me apresentar. Sou Roni Cunha Bueno, tenho 36 anos e participei de importantes cases e projetos da internet brasileira. Sou formado em marketing pela ESPM e comecei minha carreira na área de Marketing Direto como sócio-direto das agências DMKT e CRMachine. Estive à frente do marketing da Netshoes por cinco anos, onde tive a honra de lançar mão de muitas experiências disruptivas, seja em campanhas de notoriedade ou mudanças na cultura da empresa.

Em 2012, aceitei o desafio de assumir a vice-presidência de marketing e publicidade no Terra. Essa gama de experiências do lado de lá, me despertaram o desejo de ajudar o mercado como um todo, foi quando, em 2014, decidi abrir minha própria empresa, a aceleradora de negócios Organica. Minha empresa busca ajudar empresas a atenderem às demandas da nova economia, o que chamo de economia do cliente, em que as ações devem ser voltadas exclusivamente para as necessidades e desejos dos consumidores.

Como estou escrevendo em uma mídia direcionada ao e-commerce, vou focar meus esforços em dividir o que aprendi nesse universo, com o empreendedorismo e marketing.

Não espere de mim dicas táticas de fácil deglutinação, vou fazer você pensar, refletir e mudar seu comportamento, para que alcance resultados melhores e mais duradouros para seus projetos e – por que não? – na sua vida.

De cara, vou responder à pergunta que mais me fazem, qual foi o segredo da Netshoes para ser o principal case de empreendedorismo no e-commerce. Não foi uma pessoa, não foi o marketing e nenhuma área específica, não foi uma atitude isolada como uma campanha. Foi, sim, uma filosofia de trabalho, um modelo de gestão que deu velocidade de inovação que criou um distanciamento estratégico dos demais players, e dessa forma conseguimos crescer rápido na receita com rentabilidade.

Calma, não vou conseguir escrever tudo em um só artigo, será uma série, prepare-se! Vou falar sobre contexto de mudança e como isso traz oportunidades e ameaças ao nosso mercado: a cultura do usuário, como o erro faz parte do negócio, mas deve errar direito, como uma empresa que anda em bolco consegue o que quer, o modelo de gestão de performance com espírito inconformado, a gestão exponencial, como mitigar os riscos do crescimento vertiginoso dentro da própria corporação, a certeza de que não saberemos tudo, como fazer uma gestão colaborativa, a cultura do Wow e multiplicar os donos, e muitos outros temas.

São temas muito intensos que de uma forma ou de outra vivemos fortemente e intuitivamente na gestão da Netshoes.

Inicio hoje com esse mantra para mim, que divido aqui: “mantenha o espírito inconformado”

Eu sempre fui uma pessoa muito intensa em tudo o que que fiz. Contudo, na infância e juventude, quando me desmotivava de um esporte, um hobby, uma matéria, o que fosse, eu tinha o costume de ignorar o fato até que a situação ficasse insustentável. Só, então, eu tomava uma atitude ou tomavam por mim.

Como muitas coisas na vida, aprendemos na dor. Assim, creio que o momento que me fez mudar essa característica foi minha primeira e única demissão. Sim, já fui demitido. Coisa que nunca falei publicamente, pois geralmente escondemos falhas e erros, mas é impossível crescer sem falhar e sem passar pela dor.

Iniciei meus trabalhos como empregado na BVTI, em 2003. Estava saindo da minha agência para entrar em uma empresa de tecnologia, para empreender o lado de comunicação digital. O primeiro ano foi fantástico. Crescemos, ganhamos contas legais, como iG, Sara Lee, Bradesco, etc. Contudo, após um ano, as coisas não estavam indo como eu queria e, ao invés de tomar uma atitude, eu me acomodei.

Ganhava um bom salário, tinha contas para pagar e queria casar em breve. Criei um mundo de coisas em minha cabeça que me fazia ficar onde eu não queria e, como resultado, meu rendimento caiu, caiu, caiu… ao ponto de um dia não render nada. Sentia-me cansado, desmotivado e, o pior, descrente de mim mesmo.

Até que veio a notícia. Chorei. Doeu. Passado o trágico momento, refleti muito e mudei algumas crenças. A primeira: “Faça você mesmo, se não os outros farão por você.” E posso garantir que é muito melhor quando você direciona os rumos para onde quer.

Então, se tem algo que está te incomodando, não assuma a postura de vítima, nem de que “tudo está OK”. Assuma a questão que não está bem e tome a atitude da mudança você mesmo.

“Face is risky” ou o seguro demais é igualmente arriscado

Vi ao longo da minha curta carreira, muito profissional bom cair na mesma armadilha do conforto, do bom salário (“não vou encontrar remuneração igual”), benefícios, reconhecimento (“gostam tanto de mim”), cargo (“Aqui sou VP Masters of Universe”), do fazer (“Eu domino o que eu faço aqui. Se sair tenho que aprender tudo de novo”). Coloque-se em situação de risco, de forma calculada, seguindo o quadro clássico do flow.

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Você pode estar se perguntando: Roni, o que isso tem a ver com marketing e gestão em e-commerce? Tudo!

Essa prática do inconformismo encontrei no Márcio Kuruiam, CEO da Netshoes. Creio que esse match foi o que nos tornou tão próximos e possibilitou trabalharmos por tanto tempo juntos.

Esta prática fez com que nunca nos acomodássemos com o marketing e na gestão da Netshoes – o que por muitas vezes parecia coisa de louco. Ganhávamos prêmios, tínhamos o domínio do que estávamos fazendo e, no momento seguinte, estávamos questionando o modelo vencedor, buscando novos modelos que trouxessem mais resultados do que os já alcançados.

Tínhamos claro que todo modelo vencedor precisava de um desafiante. Não existem pedras sagradas. Nem pessoas, tecnologia, parceiros, nem mídias, nada. Tínhamos em mente a importância da parceria, com colaboradores e terceiros, mas todos estavam igualmente cientes do desafio de trabalhar conosco.

De modo bem resumido, funciona assim: o modelo campeão é o que existe hoje, pois se está implementado, é o que venceu. Não importa o mérito, se foi por resultado, se foi por questão política, se foi porque alguém mandou.

Mas não para aí. É preciso questionar tudo. Tudo. Liste, depois qualifique, faça algumas perguntas básicas: quanto vai aumentar o resultado de vendas? Quanto aumenta minha margem? Quão fácil é? Quão rápido é? Quão escalável é?

Coloque, ainda, outras perguntas ligadas ao seu negócio, como: quanto isso melhora a experiência do meu usuário?

Dê uma nota para cada pergunta, para cada mudança. Com isso, você tem as principais possibilidades de melhoria do modelo. Inicie pelas melhores ranqueadas. Teste, ajuste, teste, ajuste, teste, ajuste, até ter provas reais de que o novo canal/comunicação/modelo de trabalho seja melhor e, então, mude! Faça sem medo.

Uma vez que a mudança foi feita, escale alto! Sature o mais rápido possível o novo modelo. Não espere um ano, chegue ao seu limite em dois meses. Assim, quando chegar, você terá um novo desafio: o de como vencer esse modelo vencedor.

Quanto mais rápido você conseguir fazer esse modelo rodar, mais eficiente será seu modelo de marketing ou sua gestão empreendedora.

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