Forever 21 e o problema do acesso à moda no Brasil

em mar 24, 2014:por

Redação Next Ecommerce

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A comoção foi grande. Mais de mil pessoas formaram uma fila quilométrica para acabar com o estoque da primeira loja Forever 21 do Brasil, em São Paulo. Horas depois, a internet era bombardeada com comentários sobre os preços baixíssimos praticados pela marca de fast fashion no país – o item mais caro custava R$ 150.

O fato é que a rede americana de lojas chegou tocando medo no mundinho. Estilistas falam no “fim da moda” nacional. Thomas Azulay, ex-estilista da Blue Man, pede ao governo uma intervenção para salvar as indústrias – é sabido que a grife de moda praia passa por dificuldades financeiras e por isso cancelou o desfile no Fashion Rio (“para adequar os negócios”, de acordo com o comunicado oficial).

E ainda vem a H&M, lembra ele, citando a rede sueca que aterroriza o mercado internacional com promoções de peças a US$ 5 dólares.

Há dois movimentos que precisam ser colocados num mesmo plano para entender o frisson causado pela Forever 21: o acesso à moda antes restrita a quem viajava para o exterior e a necessidade de a indústria rever os preços praticados nas vitrines.

Anos atrás o brinquedo do consumidor brasileiro era a manada de marcas de luxo que chegava aos shoppings. No Recife, os seguranças do Rio Mar, centro de compras que recebeu as primeiras Prada, Burberry e Dolce & Gabbana do Nordeste, há dois anos, tiveram problemas para conter a massa que queria ver de perto os pontos de venda.

Comentários preconceituosos como “esfomeados”, “gentalha” e outros adjetivos impublicáveis encheram as redes sociais, tanto no caso recifense quanto no da semana passada em São Paulo.

O acesso a itens de luxo mexe com a cabeça de qualquer pessoa, seja ele do métier da moda ou não. Quando a Apple lançou sua primeira loja por aqui, no Rio, os “nerds” e hipsters fizeram tanto barulho quanto as garotas a fim de comprar a blusinha da última moda na semana passada.

Em Nova York, na mesma Apple, o lançamento do iPhone 5 foi um acontecimento ainda maior, mas, como hoje ser “nerd” é legal, e até “cult”, ninguém foi contra o trânsito insuportável e a gritaria na Quinta Avenida.

A Forever 21 é um fenômeno cultural e um desafio à indústria de qualquer país onde esteja instalada. As investigações sobre trabalho escravo – o que explicaria os preços finais irrisórios – são constantes e mexem até com o plano de negócios das fast fashion concorrentes.

A Riachuelo percebeu o “problema 21″ que teria de enfrentar e já reposiciona a imagem de sua marca, que agora tem “flagship” na rua Oscar Freire e várias coleções assinadas por estilistas famosos. “O patrocinador oficial da moda brasileira”, diz o novo slogan da rede de lojas.

O que as grifes nacionais precisam entender é que o êxodo de consumidores que temiam quando Chanel, Prada e Louis Vuitton expandiram os negócios no país está prestes a acontecer quando a H&M chegar com preços ainda mais competitivos que os da Zara e da Topshop – ou mesmo de marcas como Colcci, Forum e Ellus.

A remarcação sobre as peças básicas aqui chega a oito vezes o valor de custo da roupa, segundo um colega estilista que trabalhou numa grande marca de jeanswear e prefere não se identificar.

Junte isso ao fato de que a produção em larga escala adotada por essas marcas barateia ainda mais os custos de produção. O preço final na prateleira não se justifica.

A moda brasileira precisa entender que os anos 1980, quando os lucros eram exponenciais, acabaram. Nelson Alvarenga, da Ellus, Tufi Duek, da Forum, e outra parte considerável do lineup da São Paulo Fashion Week, fizeram fortunas com a falta de concorrência naquela época.

A soma do acesso à moda mais preços compatíveis com o produto vendido é uma conta que, por enquanto, ainda não aprendemos a fazer.

Por: Pedro Diniz

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