Naspers coloca o Buscapé à venda por US$ 300 milhões

em set 04, 2015:por

Redação Next Ecommerce

O Nextecommerce é um canal para compartilhar idéias sobre as tendências e novidades que encontramos e produzimos no mercado.

O conglomerado sul-africano Naspers está vendendo o site de comparação de preços Buscapé, segundo três fontes diferentes confirmaram ao blog Tecneira sob a condição de anonimato. Entre as fontes está um funcionário do alto escalão do Buscapé.

As primeiras tentativas de encontrar um comprador foram feitas no começo de 2015. Conversaram com a Naspers empresas como o Mercado Livre, o PayPal, a Amazon, a Rakuten e o eBay. O conglomerado pede cerca de US$ 300 milhões pelo Buscapé, mas, em alguns casos, a falta de propostas derrubou o peço pela metade.

Quem comprar leva o Buscapé e o QueBarato!. A ferramenta de pagamento digital bCash foi incorporada ao PayU, a tecnologia de pagamento global da Naspers, e está fora do negócio.

Procurada, a Naspers afirmou que “não é política da companhia comentar especulações da imprensa”. Consultado, o Buscapé segue a mesma linha e diz que não comentará o assunto.

A decisão de vender o Buscapé começou a tomar forma em abril de 2014, quando Bob van Dijk assumiu como novo CEO da Naspers. Sucessor de Koos Bekker, o fundador da Naspers, Van Dijk, um executivo de apenas 41 anos, tinha passagens por McKinsey e eBay e, ao ser promovido, cuidava da divisão de e-commerce da Naspers.

Ao assumir o cargo, ele decidiu reorganizar o conglomerado em unidades de negócios, não mais em operações geográficas. Cada unidade de negócios centralizava serviços digitais que, antes, eram gerenciados por cada escritório regional. No fim de 2013, foram criadas as divisões de pagamentos digitais, classificados online, varejo online e comparação de preços. Cada uma delas deveria se sustentar financeiramente de forma independente.

A Romero Rodrigues, fundador e CEO do Buscapé, coube liderar a divisão de comparação de preços. Além do serviços que tinha fundado, Rodrigues ficou responsável pelo Compari, da Romênia, o 7Pixels, da Itália, e outros buscadores na República Tcheca, Eslováquia, Polônia e Holanda. A ideia era replicar neles o que Romero tinha feito, com sucesso, no Buscapé.

O plano, porém, não saiu como esperado. Para piorar, a operação nacional do Buscapé se tornou deficitária, depois de anos sendo lucrativa. Após comprar 91% da empresa por US$ 342 milhões em 2009, a ideia da Naspers era tornar o Buscapé uma empresa com valor de mercado acima dos US$ 1 bilhão para abrir seu capital, de preferência em uma bolsa de valores estrangeira.

Para atingir o objetivo, a Naspers resolveu fazer do Buscapé mais que um comparador de preços, mas um hub que concentrasse e intermediasse compras de pequenas e médias empresas. No mercado de tecnologia, isso se chama marketplace. Era preciso acoplar tecnologias complementares à busca. Para isso, o Buscapé saiu às compras.

Em quatro anos, foram 18 startups compradas, como a ferramenta colombiana de pagamentos PagosOnline, a centralizadora de ofertas de compras coletivas ZipMe e a provedora de ferramentas de e-commerce VTEX. Em fevereiro de 2011, Rodrigues afirmou que só não comprava mais startups por não encontrar operações que fizessem sentido.

Tanto apetite inflou o Buscapé. O comparador chegou a ter 14 vice-presidentes para sete áreas de negócios. Suas centenas de funcionários ficavam em quatro andares de um dos prédios mais modernos da Avenida Paulista, em São Paulo. Sem foco, o aumento da receita não acompanhou o aumento dos gastos e, a partir de 2010, o Buscapé se tornou deficitário.

O ajuste começou a partir da segunda metade de 2013. O Buscapé demitiu quase 400 funcionários, fechou operações como o Brandsclub e o Recomind e vendeu participações de startups, como a VTEX, repassada ao fundo Riverwood. Onze vice-presidências foram dissolvidas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. No fim de 2014, a empresa voltou à lucratividade. Mas já não tinha o ritmo de crescimento que justificasse o valor de mercado acima dos US$ 1 bilhão pretendido pela Naspers em 2009.

O corte não foi só no Brasil. Em fevereiro de 2014, a Naspers fechou também operações que já não se encaixavam na divisão por área de negócios criada por Van Dijk, como as lojas de online de cervejas e vinhos 5ounces, de roupas Style36Buy, de câmeras SA Camera e de móveis 5Rooms.

Para a Naspers, a liderança do Buscapé em comparação de preços no Brasil já era considerada uma anomalia, já que nos mercados mais maduros, como Estados Unidos e Reino Unido, não existe um comparador nos moldes da empresa de Rodrigues, segundo pessoas próximas à companhia.

A tendência é que, quando o Buscapé for vendido, a divisão de comparação de preços da Naspers deixe de existir. Em março, o conglomerado já tinha vendido sua participação de 70% na 7Pixel, dona do comparador de preços italiano Trovaprezzi.it, para o Gruppo MutuiOnline.

Além do Buscapé, a Naspers tem participação em outras empresas que operam no Brasil, como a desenvolvedora de tecnologias móveis Movile, o site de classificados OLX e a Editora Abril.

DE ÉPOCA

veja também:

adwords

Como melhorar as vendas com o Google AdWords para e-commerce?

Por: Wallace Castro Você quer vender mais, economizar tempo e fazer CONTINUAR LENDO…

red bull

Marketing de Conteúdo te dá asas

Por: Renann Mendes Nunca fui muito fã de dar aulas, CONTINUAR LENDO…

shopping

Google Shopping: aprenda como usá-lo a seu favor

Por: Raquel Lisboa – Nuvem Shop É cada vez mais CONTINUAR LENDO…

email

Por que o marketplace é o assunto do momento no e-commerce?

O ano de 2017 está sendo marcado pela consolidação do CONTINUAR LENDO…

Deixe um comentário

O que achou do conteúdo? Compartilhe sua opinião:

Gostou do nosso conteúdo?

Deixe seu e-mail aqui e receba as novidades do mercado

Calendário

 
JUL 25