O Melhor do NRF Big Show 2015

em fev 03, 2015:por

Luis Vabo

CEO da Sieve, empresa de inteligência de preços de e-commerce para lojas virtuais e fabricantes. Vencedor do Prêmio E-Commerce Brasil 2013 na categoria Inovação. Empreendedor Endeavor. É professor de Empreendedorismo da PUC-Rio. Mestre em Administração de Empresas pelo COPPEAD/UFRJ, extensão na EMLyon na França e Engenheiro de Produção pela PUC-Rio.
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bigshow-nrf-2015

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Se você perdeu o maior evento de varejo do mundo que rolou há duas semanas em Nova York, não se preocupe. Segue abaixo um resumão com o que houve de melhor do NRF Big Show 2015.

NRF significa National Retail Federation, que é a federação americana de varejo e o Big Show é o principal evento deles que reúne mais de 35.000 pessoas, todos os anos na fria Nova York… fria mesmo! A média de temperatura foi de -7o C, com picos de -10OC, nada mal para quem vinha de 45O C de sensação térmica no Rio.

Para você ter a dimensão da importância histórica deste evento, esta foi a centésima quarta edição. Super tradicional.

O Brasil, como todos os anos, teve a maior delegação não-americana do evento, com quase 2.000 participantes. Portanto, o evento é bom não só pelo conteúdo mas também pelo networking, pois em geral são os presidentes e diretores das empresas que comparecem ao evento.

A estrutura do evento é gigante e muita coisa acontece simultaneamente com sessões de palestras, debates e a feira com stands dos principais fornecedores de varejo do mundo. As keynotes, que são as palestras principais, são o único momento em que todo o evento se dirige ao maior salão para ouvir as boas práticas e cases que são apresentados.

Este ano o convidado de honra foi o Ben Bernanke, ex-presidente do Banco Central americano, que foi um dos responsáveis por tirar os EUA da crise de 2008/2009. Ele contou como foram os piores momentos da crise, as decisões difíceis que precisou tomar para evitar o pior e destacou as diferenças entre 1929 e 2008. A mensagem principal foi de otimismo. No ano passado, o convidado foi o ex-presidente George W Bush.

Também passaram pelo palco principal o presidente da Levi’s (que entrou cantando Beatles e falou dos valores da marca), Oliver Bierhoff da seleção alemã, o presidente do Walmart US, o visionário Juan Enriquez, entre outros palestrantes craques. Muito legal também a participação de brasileiros nos palcos: C&A, GPA, GSMD e Netshoes, que foi aplaudida de pé quando apresentou sua pesquisa com o melhor NPS do e-commerce brasileiro, faturamento de 1,5 bi, lançamento de duas marcas próprias e forte personalização no site.

Destaco abaixo os principais tópicos debatidos em todo evento:

OMNICHANNEL

Não importa se o cliente compra na loja física, no e-commerce, no m-commerce, no s-commerce, se ele leva o produto no braço, se recebe em casa, se pesquisa preço ou compra por impulso. O que importa é que ele é o seu cliente e quer ser bem atendido independente do canal. Para isso, você precisará ter tecnologia, inteligência, time e processos adequados para isso.

Essa foto resume bem o evento todo:

NRF 2015

BIG DATA

Foram convidados gestores dos principais esportes americanos (tennis, football, basketball, soccer, hockey) com o objetivo de compartilhar as melhores práticas de Big Data num paralelo com o varejo.

Basketball: a NBA disponibilizou gratuita e abertamente em seu site todos os dados de todos os jogos e jogadores desde 1936. Além disso, os times desde o ano passado treinam com tecnologia vestível para monitoramento em tempo real com o objetivo de aumentar o desempenho, antecipar ou prevenir lesões;

Football: a marca de moda Levi’s construiu em parceria com o 49ers um novo estádio recheado de tecnologia – exemplo de marca que inova fora do âmbito esperado pelo mercado;

Soccer: nos intervalos dos jogos da Copa do Mundo, o goleiro da Alemanha recebia em seu iPad todas as estatísticas do primeiro tempo para planejar a estratégia do segundo.

Big data está mudando os esportes e é incrível como a Fifa está atrasada na autorização do uso de tecnologia para aprimorar a experiência para o torcedor. O principal aspecto que o big data pode ajudar é entender quem é seu fã. A Alemanha vendeu 3 milhões de camisetas ano passado. Recorde!

Tênis: a representante da WTA disse que o tênis está atrasado em relação aos demais esportes. Pretendem lançar uma plataforma social própria para interagir melhor com seus fãs. Números: 800 milhões de fãs de tênis no mundo. Apenas 5 milhões vão aos estádios. A WTA só possui 40 mil em sua base de dados.

Saber quem são os fãs, quais são seus gostos e preferências, qual é seu perfil etc. faz com que se possa tratá-lo individualmente com ofertas e atendimento direcionados.

MOBILE

Tão importante que foi considerado um dos pilares do evento, tendo palestras e debates exclusivamente sobre Mobile. Já não é mais tendência, é realidade:

  • Usuários com iPhone convertem 15% mais do que outros dispositivos (existem varejistas fazendo versões de site mobile diferentes baseado no dispositivo);
  • 19% das vendas in-store são influenciadas pelo mobile;
  • 25% dos consumidores têm a expectativa que a experiência no mobile mude de acordo com o seu contexto. A experiência mobile da compra de passagem aérea deveria ser diferente antes e depois do embarque, por exemplo;
  • As pessoas checam seus smartphones em média 185x ao dia! Cada vez que isso acontece é uma oportunidade que o varejista tem de interagir com o seu consumidor.

EXPERIÊNCIA e PERSONALIZAÇÃO

A sacada não é oferecer o mesmo preço em canais diferentes mas sim oferecer o mesmo preço para o mesmo cliente em canais diferentes.

Destaque para o trabalho do Centro de Inovação do eBay que desenvolveu o conceito de interatividade da loja Rebecca Minkoff no SoHo em NY e também para os projetos de realidade aumentada para moda e estádios.

O futuro será das personalizações que puderem gerar uma experiência incrível e individualizada para cada consumidor, que, por sua vez, terá cada vez mais acesso às tecnologias vestíveis, internet das coisas, drones, robôs, impressoras 3D, carros auto-dirigíveis e adaptações do próprio DNA, conforme palestra do visionário Juan Enriquez.

PRECIFICAÇÃO DINÂMICA

Nada menos do que 4 palestras sobre o tema, que está cada vez mais entranhado na operação das lojas virtuais americanas.

Muito interessante o caso de uma loja virtual que usa uma tecnologia que identifica qual concorrente afeta sua demanda, para que possa trocar o preço somente quando o concorrente relevante trocar e não qualquer um.

Um estudo mostrou também que a Amazon não foi a mais barata no Black Friday americano. O Walmart conseguiu ser ainda mais agressivo, porém isto não está claro na mente dos consumidores.

Sugestão de estratégia para implementar precificação dinâmica: começar pequeno, construir confiança em toda organização step by step, alta direção patrocinando, medir resultados desde o início, pegar feedbacks com a equipe da ponta. Não é da noite para o dia que se deve implementar.

Um dado interessante: 13% da troca de preços nos EUA é de 1 centavo para cima ou para baixo!

Em suma, o evento foi excelente para encontrar as pessoas e observar as tendências que em breve estarão por aqui. Em 2016, você não pode perder!

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