Por que e como um negócio deve otimizar o mix de transportadoras?

em abr 24, 2015:por

Gabriel Drummond

Engenheiro formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, com MBA pelo INSEAD. Foi consultor em gestão por sete anos, com passagens pela Bain & Company, Gradus e INDG. Em março de 2014, iniciou, junto ao alemão Stefan Rehm, a Intelipost, plataforma especializada em gerenciamento de logística para o pré e pós-venda.
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Um passo crítico da estruturação e desenvolvimento de uma loja online é a definição das transportadoras que farão tanto a entrega dos pedidos quanto a logística reversa. Para uma loja de menor porte e/ou com um portfólio de produtos mais simples, os Correios em geral são capazes de “resolver o problema” – tanto que quase 90% das lojas online brasileiras utilizam os Correios para alguma parte de sua carga. Porém, para negócios maiores, que vendem produtos de maior complexidade logística (ex: móveis ou linha branca) ou que desejam usar sua logística como alavanca para vender mais, algumas alternativas são necessárias.

Ter a disciplina e rigor para reavaliar periodicamente a combinação das transportadoras parceiras pode trazer uma série de benefícios relevantes para o negócio.

Primeiramente, uma boa combinação de transportadoras traz as maiores reduções no gasto com fretes. Entretanto, pela complexidade em sua precificação, ferramentas de cálculo de frete e otimização das transportadoras podem ser necessárias para capturar esses ganhos.

Em segundo lugar, a qualidade da entrega de cada transportadora (ex: índices de atrasos e extravios), em geral, varia entre regiões, características das entregas e sazonalmente. Um bom mix de transportadoras permite concentrar cargas naquelas que fazem um trabalho melhor.

Terceiro, consumidores demandam cada vez mais opções de entrega na hora de fechar um pedido. Permitir uma entrega expressa (às vezes em até 24 horas), mesmo que com algum custo, ou ter uma política de frete grátis mais abrangente, pode ser o necessário para efetivar uma venda. Uma maior oferta de opções de entrega em geral requer mais transportadoras.

Por fim, uma loja deve sempre se planejar para imprevistos, como greves dos Correios ou gargalos sazonais nas transportadoras. Eventualmente, ter um “plano B” pode ser chave para não perder vendas.

É fácil argumentar a favor de qualquer melhoria, mas a chave do sucesso está não somente no “o quê fazer”, mas também no “como”.

A seleção das transportadoras deve passar por uma análise criteriosa. Idealmente, utiliza-se a simulação da carga de pedidos contra diversas combinações das transportadoras possíveis, até que o resultado atenda às necessidades de custo, qualidade e complexidade operacional (transportadoras demais também é um problema). A adequação de processos pode começar com um piloto, limitando um novo provedor logístico a entregas para uma região específica, por exemplo. Os resultados têm que ser monitorados de perto e avaliados antes de escalar a operação – é importante ter SLAs (indicadores de nível de serviço) bem definidos e ferramentas para cobrança. Mas estas são as mesmas rotinas de gestão e análise de resultados que devem existir sempre, orientando a empresa em direção à melhoria contínua.

Mesmo com tantos benefícios para a otimização do mix de transportadoras, vemos que essa reavaliação não acontece na frequência ou com o rigor esperados. De fato, negócios com baixos volumes de entregas têm dificuldade para manter vários contratos, mas vemos casos assim mesmo entre negócios maiores. Assim, o desafio se reduz a vencer a inércia imposta por nós mesmos. O caminho para nos tornarmos “world class” passa pelo questionamento constante dos resultados e busca por novas oportunidades de melhoria.

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