Serifa ou sem-serifas? Quais vantagens cada tipografia oferece

em abr 07, 2014:por

Gisely Fernandes

Designer, cursando o 7º semestre de Design Digital pela Universidade Anhembi Morumbi, técnica em Design Gráfico pela escola Alfamídia. Tenho ótimas ideias e sei conceituar isso, possuo um carinho especial em organizar equipes. Sou ótima em artes gráficas (incluindo ilustração), dedicada tenho sede por conhecimento e amo de paixão o universo digital.
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Sempre que estamos definindo nossas identidades visuais e chegamos no estudo tipográfico, a primeira questão que aparece é essa: Como fazer nesse e-commerce? Com serifa ou sem-serifa?

 

Todos os fatores que ajudam o olho humano a perceber uma palavra como um bloco ótico, melhoram a legibilidade. De maneira geral, as serifas facilitam a leitura, pois fazem o texto parecer contínuo aos olhos do leitor; as palavras aparecem mais “unidas”.

Com frequência afirma-se que os caracteres com remate – serifados ou egípcios – são mais legíveis dos que os não-serifados. Uma das razões que confere melhor legibilidade às serifas é o seu percurso histórico – fomos habituados a elas.

Outra razão, esta mais técnica e menos discutida, tem a ver com a nossa percepção: as serifas ajudam a agrupar as letras de uma palavra, serifas fazem com que as letras desenvolvam uma espécie de “coagulação óptica”. Através de diversas análises, é possível saber que um leitor experiente não lê um texto letra por letra, e sim, palavra por palavra, e muitas vezes, até várias palavras de uma só vez.

 

Fontes serifadas ou não serifadas?

 

Todos os fatores que ajudem o olho humano a perceber uma palavra como um bloco óptico, melhoram a legibilidade. Se, pelo contrário, o leitor começa a ler as letras individualmente, uma por uma, este perde grande tempo com a leitura. A premissa “as serifadas leêm-se melhor” está confirmada por muitos estudos; contudo, há vozes discordantes. [Ole Lund. Why serifs are (still) important. 1997]. Mas também é certo que: serifas a mais, produzem um efeito contraproducente. Tinker observou com pertinência que os remates largos e grossos, tão típicos das escrituras egípcias, e podem diminuir a legibilidade. As formas quadradas produzem ainda uma maior dificuldade de leitura.

Uma crítica que se vem repetindo há longa data às tipografias de estilo “clássico moderno” – as não-serifadas, como a Futura, a Helvetica, a Univers, a Folio, etc. – é que os seus caracteres mostram um desenho “despersonalizado”, demasiado uniforme, “sem sal e pimenta”. Da Helvetica falou-se com razão como sendo a tipo “sem características”, sem personalidade e sem profil próprio. Já da Akzidenz Grotesk, “mãe” de todas as não-serifadas, sabemos que não tem autor. Esta Grotesk, extremamente popular entre os adeptos da Bauhaus e da nova tipografia, teria sido um resultado coletivo – ou trabalho de autor tipográfico anônimo.

Efeito pérola

Uma das contra-indicações mais importantes, a razão principal pela qual, de modo geral, não se devem usar letras sem patilhas em texto corrido, é o “efeito pérola”. Este efeito é especialmente manifesto em tipos com formas pronunciadamente redondas, como a Futura ou a Gill Sans.

Ascendentes, descendentes e altura-x

Vários especialistas sugerem que a altura-x (x-height) é o fator mais importante a afetar a legibilidade dos caracteres, principalmente em tamanhos pequenos. Os tamanhos dos ascendentes e descendentes das letras são críticos para reconhecê-las e para fixar a imagem da palavra. É banal: com eles podemos distinguir um h de um n, um o de um d, etc.

Além do disso, uma pequena altura-x incrementa o espaço branco entre as linhas e enfatiza a imagem da linha de texto – desde que o paginador tenha tido o bom senso de usar uma entrelinha acima do valor default comum (120% do tamanho de letra). Mas atenção! – uma altura-x demasiado grande atrasa a velocidade de leitura, devido à imagem débil que apresentam as palavras [Betty Binns. Better type. 1989].

As diferentes investigações levadas a cabo conduzem à conclusão que os tipos com uma altura-x grande (mas moderada) são em geral mais legíveis em corpos pequenos.

Parece que o incremento da altura-x aumenta a legibilidade – como se fosse um tipo de tamanho maior; assim sucede que tipos diferentes, como a Times e a Perpetua, podem chegar a ter similar legibilidade – se se igualarem as suas alturas- x. [H. Spencer, L. Reynolds, B. Coe. The effects of image degradation and background noise on the legibility of text and numerals in four different typefaces. London, 1977.

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One Comentários

  1. Sergio Witimisse disse:

    Informação valiosa que devia ser apropriada por todos aqueles que se interessam pelo design gráfico. Pouco a pouco vou me interessando por esta área. Estou cursando Design e Multimedia na Universidade Pedagógica de Moçambique.

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