SPFW Começa mudança para encurtar tempo entre desfiles e venda das coleções

em abr 29, 2016:por

Redação Next Ecommerce

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Fonte: Folha (Por Guiliana Mesquita)

Anos atrás, os desfiles eram reservados a um grupo restrito de convidados e as coleções chegavam às lojas muito depois das informações sobre as roupas, divulgadas antes em revistas de moda.

Hoje, com os cliques e compartilhamentos instantâneos nas redes sociais durante os eventos de moda, o período usual de seis meses entre a apresentação de uma coleção em um desfile e a chegada das roupas às lojas acaba afastando compradores.

Quem quer comprar uma peça vista meses atrás na passarela, que já chega nas araras com ranço de antigo, depois de vídeos, “instas” etc.?

Para se adaptar, a São Paulo Fashion Week, maior evento de moda do Brasil, muda o calendário a partir de 2017, encurtando o tempo entre desfiles e lançamentos.

Essa tendência, batizada de “see now, buy now” (veja agora, compre agora), surgiu tímida nas últimas temporadas das semanas de moda internacionais, mas veio com força no começo deste ano, especialmente em Nova York. Em resumo, o que é desfilado pode ser encontrado quase ao mesmo tempo nas lojas. Roupas, bolsas e sapatos saem diretamente da passarela para a vitrine.

Em novembro, a temporada paulista já deve experimentar o novo formato. Apesar de ainda não ter fixado datas, Paulo Borges, criador e diretor do evento, está seguro da mudança.

“Temos visto o crescimento exponencial das mídias sociais impactar tremendamente a força dos desfiles, tornando-se instrumento poderoso de estímulo de desejo e ferramenta de apoio ao varejo. O fato mais determinante, e irreversível, é o consumidor, que ao ver a nova imagem de moda proposta passa a desejá-la imediatamente. A moda sempre teve como objetivo dar o maior alcance a suas ideias e seus produtos. Chegou a hora”, explica Borges.

Quem mais se beneficia é o consumidor de moda. Ele não precisa mais esperar para ter aquela peça vista na passarela em seu guarda-roupa (e nem comprar a cópia em alguma fast-fashion).

Algumas marcas brasileiras já trabalham nesse ritmo, e o defendem com unhas e dentes. “Quase instintivamente comecei assim. No meu primeiro desfile, em 2002, a coleção já estava à venda no dia seguinte na loja. E já tinha gente na fila para comprar”, lembra a estilista Cris Barros, que nunca participou da SPFW.

“Nós lançamos 12 coleções por ano, uma por mês. Criamos aquilo que a cliente quer usar naquele momento”, diz Marcio Porto, diretor de marketing da Tigresse, que também nunca desfilou no evento e já atua assim desde 2011. As marcas da SPFW também se mostram animadas com essa adaptação.

 

PASSADO

Desde que foi criada até 2013, a semana de moda paulista acontecia de dois a três meses antes da chegada das roupas às lojas, em janeiro e junho, já que a indústria estava mais acostumada ao esquema de pronta entrega

PRESENTE

Desde então, o evento se adequou aos padrões dos desfiles internacionais, e vinha acontecendo com seis meses de distância do varejo. O esquema de showrooms foi adotado para que as marcas expandissem suas vendas em multimarcas ao redor do Brasil.

FUTURO

O SPFW passa a acontecer poucos dias ou semanas antes de as peças chegarem às lojas. A produção e os showrooms seguem o esquema anterior; a única mudança é a data em que essas coleções são apresentadas ao público e à imprensa.

 

“Apresentaremos nossa coleção para o atacado na mesma época de sempre, em outubro, e começaremos a produzir as peças para entregá-las em fevereiro às lojas. No começo do ano, mostraremos as roupas na passarela”, diz Patricia Bonaldi, que estreou no SPFW na temporada de inverno 2015.

Na prática, a única coisa que muda é a data que esse desfile acontece e é mostrado ao público, agora seis meses depois do que no formato antigo. O consumidor assiste ao desfile e as peças já estarão disponíveis nas lojas na mesma semana ou mês.

“Sabemos o quanto a semana de moda é importante para a indústria nacional, e acreditamos que podemos chegar a um formato interessante para todos, num cenário mais amplo e inclusivo para o consumidor”, diz Roberto Jahaty, CEO da Animale, marca que sai do calendário em 2016 a fim de comemorar seu aniversário de 25 anos e deve voltar no próximo ano.

Com a aproximação entre as datas de desfiles e a chegada das roupas às lojas, as pessoas verão menos coleções conceituais nos desfiles.

“Alguns acreditam que os seis meses entre um desfile e a coleção chegar às lojas é um tempo necessário para os consumidores assimilarem tendências mais vanguardistas -com a ajuda de times de marketing, revistas e outras mídias. Então as marcas, até se adaptarem novamente, devem apostar em tendências mais seguras”, diz Sofia Martellini, expert do birô de tendências WGSN.

Vai ficar mais desafiador para as marcas, que terão de criar algo novo e apropriado tanto ao glamour da passarela quanto à verdade da vitrine -sem esquecer o mar de “likes” em redes sociais.

‘ATEMPORAL’

Em resposta ao imediatismo que está virando regra na moda, há o “slow fashion”: algumas marcas fazem roupas que levam mais tempo para serem criadas e que valorizam mão de obra e matéria-prima locais. Um exemplo é Paula Raia, que desfila uma vez por ano na SPFW, no verão.

“Demoro oito meses para desenvolver minhas coleções. Não sigo tendências, as peças são isoladas do que está acontecendo fora”, explica a estilista. “Você cria um outro tipo de vontade no seu cliente, um desejo de comprar um produto mais caro, com essa valorização do feito à mão e da história por trás da peça.”

Outra que participa desse movimento é Flavia Aranha. ”É um processo mais lento, mais atemporal. A gente pensa criar produtos que durem mais no guarda-roupa.”

 

ANÁLISE: É TEMPO DE MAIS PRODUTO E MENOS CONCEITO

Fonte: Folha (Por Pedro Diniz)

Mais do que enxugar o tempo entre o desfile e o lançamento das roupas, o modelo “veja agora, compre agora” que a São Paulo Fashion Week passará a adotar como orientação para suas marcas é a pá de cal na discussão sobre a vocação de moda do país.

Somos mais marcas do que autores, somos mais produto do que conceito.

Se nos anos 1990 uma geração de estilistas nascidos em eventos como Mercado Mundo Mix, Fashion Rio e Casa de Criadores foi jogada na fogueira das vaidades e alçada à condição de artistas da passarela, agora há a confirmação de que são peças de um xadrez movido pelo caixa da empresa, pelo lojista e pelo impulso consumista dos clientes.

No modelo convencional, defendido pelas federações de moda de Milão e Paris, o desfile é o pontapé de uma coleção trabalhada por seis meses até chegar às araras, e cujo sucesso depende da força criativa do estilista e do humor do consumidor.

O novo modelo, bandeira da maior parte das grifes da semana de moda de Nova York, extingue o fator surpresa para a indústria, que compra, fotografa e edita essa coleção antes da passarela. Tudo é mastigado e revisado antes de ganhar a rua ou as redes sociais.

O “pequeno” ajuste diminui a probabilidade de erro nas escolhas das roupas, algo que, num cenário econômico desolador, poderia ser fatal para os negócios.

“As empresas que pretendem ser globais e têm um volume alto de produtos precisam da segurança de que aquela roupa será vendida”, resumiu, em entrevista recente, Duncan Painter, CEO do grupo inglês Ascential, que é dono do birô de tendências WGSN.

Não significa tirar do designer o poder de escolha da criação, mas é inegável que ela será apresentada já com o olhar viciado da indústria.

Paulo Borges, fundador da SPFW, diz que sempre haverá espaço para o exercício de vanguarda dos estilistas, mas com um tom mais contido que o de outrora.

“Há dez anos ou mais, o que se desfilava era tido como algo irreal. Hoje, todos querem aquilo que foi visto nas passarelas. Esta é a grande evolução. Houve um caminho de encontro entre a criação e o consumidor.”

Há ceticismo de marcas com menor volume de vendas. Nomes como Ronaldo Fraga e Fernanda Yamamoto já disseram que não mudarão seu esquema artesanal -e lento, para o padrão da indústria.

A mudança beneficiará grandes grifes de moda casual, como Ellus, Animale e Colcci, que movimentam as cifras do varejo brasileiro.

“Esse tipo de moda [casual] é mais tolerante às mudanças. Para as grifes francesas e italianas do alto luxo é difícil mudar porque elas acreditam no desejo criado no longo prazo”, diz Daniela Falcão, diretora editorial de “Vogue”, “Glamour” e “GQ”, que participou das discussões sobre a mudança no calendário brasileiro de moda.

Correto ou não, o modelo imediatista se opõe ao ideal do luxo e se aproxima da noção de moda fast-fashion, rápida, segura e bonitinha.

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