Global sim. Porque não?

em nov 13, 2014:por

Redação Next Ecommerce

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Enquanto boa parte dos empresários brasileiros passou 2014 cancelando projetos e cortando custos, o baiano Fabricio Bloisi foi às compras como se vivesse num mundo à parte. Aos 37 anos, Bloisi é presidente da empresa de conteúdo para celular Movile, com sede em Campinas.

Nos últimos dois anos, ele investiu pelo menos 55 milhões de reais em dez aquisições. Comprou sites de entrega de comida, como o iFood e o RestauranteWeb, de fretes, como o Rapiddo, guias de lojas e serviços, como o Apontador, e de ingressos, como o Cinepapaya. No total, a Movile tem quatro unidades de negócio e uma lista incomum de sucessos — pelo menos para os padrões da internet brasileira.

O iFood, seu principal aplicativo de entrega, tem 80% de participação no mercado brasileiro e tornou-se um dos dez maiores do mundo em número de pedidos. Seu aplicativo de celular para crianças, o PlayKids, que toca vídeos e músicas, é o mais vendido do segmento em dez países, como Estados Unidos e França.

A Movile tem 600 funcionários e escritórios no Brasil, na Colômbia, na Argentina, no México e no Vale do Silício. Com receitas estimadas em 400 milhões de reais, já é a maior empresa de conteúdo para celular da América Latina. Na última rodada de investimentos que recebeu, foi avaliada em estimados 800 milhões de reais. O plano agora é entrar para o grupo de elite da internet mundial. Faz sentido?

Se há uma coisa que tem unido as empresas de internet no Brasil é a crônica incapacidade de lucrar. A maior delas, a varejista B2W, dos sites Submarino e Americanas.com, com receita de 6 bilhões de reais em 2013, dá prejuízo há 15 trimestres. A Dafiti, maior loja online de moda do Brasil, faturou 450 milhões de reais em 2013 e teve prejuí­zo de 220 milhões.

O site Peixe Urbano, que recebeu mais de 200 milhões de reais de fun­dos de investimento, foi vendido em setembro por cerca de um décimo disso à empresa chinesa de internet Baidu (as empresas não comentam valores). Mas na Movile tem sido di­ferente. Segundo investidores que analisaram seus números, a Movile dá lucro — de estimados 25 milhões de reais em 2013.

“O histórico do setor joga contra a Movile. O Brasil não tem tradição de exportador de tecnologia ou de empresas inovadoras, então eles precisam fazer o trabalho em dobro de divulgação lá fora”, diz Anderson ­Thees, diretor do fundo de investimento Redpoint e.ventures, que nos Estados Unidos investiu em empresas como o Netflix e o curso de inglês online Open English.

O que separa a Movile da média das empresas de internet brasileiras é uma capacidade de inovação e uma ambição incomuns. A maioria se contenta em adaptar projetos que deram certo em outros países. A Movile nasceu para criar coisas originais.

“Desde os tempos de faculdade, a meta é criar uma empresa global de tecnologia, com milhares de funcionários em todo o mundo e faturamento de bilhões de dólares”, diz Bloisi, descrevendo um cenário ainda bastante longínquo. Não é de hoje que Bloisi pensa grande.

A Movile foi criada em 1998 por ele e pelo colega Fábio Póvoa (que deixou a empresa em 2009), ambos alunos de ciência da computação na Unicamp. Começou vendendo toques de celular e notícias via SMS quando celular era coisa rara no Brasil.

Em 2001, recebeu investimento do fundo de private equity Rio Bravo, que em 2008 vendeu sua fatia para o conglomerado de mídia sul-africano Naspers (os valores não foram revelados).

Em agosto deste ano, a empresa recebeu 125 milhões de reais de investimento — 80 milhões do fundo Innova Capital (que tem entre seus sócios o bilionário Jorge Paulo Lemann) e 45 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O dinheiro será usado para financiar novas aquisições.

TEXTO POR ANA LUIZA LEAL

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