Os pais das start-ups

em ago 18, 2014:por

Redação Next Ecommerce

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Largar uma carreira, ou a projeção de uma, para abrir uma startup é uma empreitada arriscada. Além das próprias dificuldades que vêm junto com a abertura de um negócio na internet – do nascimento da ideia até a captação de investimentos – a decisão, normalmente, é recebida com rostos surpresos (às vezes indignados) da família, dos amigos e mesmo do chefe na hora de pedir demissão. Nesse ponto, não há muito que fazer. Seguir seu instinto é o recomendado por 99,9% dos especialistas. Mas se você quer um consolo, o cenário, hoje, é bem melhor do que era 18 anos atrás.

Não é todo mundo que lembra ou viveu essa época, então vale destacar aqui alguns pontos que tornavam a tarefa de abrir uma startup das mais difíceis na decada de 1990. A começar pela Internet discada. A chamada conexão dial up, feita por meio de um modem e uma linha de telefone, só existe hoje em pouquíssimos pontos do país, onde a banda larga não tem alcance. Há 20 anos, no entanto, era parte do equipamento essencial para se ter qualquer acesso à web. O sistema de entregas dos Correios era outro problema, já que ainda estava no começo de sua reestruturação. Além disso, o número de internautas era pífio se comparado com o atual. Fechamos 2012, com mais de 83 milhões de usuários. Em 1997, éramos 1,15 milhão. E quantos desses se aventuravam a usar seus cartões de crédito em transações na Internet? Pouquíssimos.

Não faltavam dificuldades para as empresas de tecnologia que começavam a despontar no período. A maior parte ficou para trás, atrapalhada também por outros desafios, como a Bolha da Internet que estourou nos anos 2000. Outras, no entanto, conseguiram superar as adversidades – da economia, do governo e de todas as primeiras impressões que se tinha sobre a Internet – e criar negócios de sucesso. Veja abaixo algumas lições valiosas dos pais das startups:

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Romero Rodrigues, CEO do Buscapé: “O mais importante é a paixão pelo negócio”

Tudo começou com uma impressora. Rodrigo Borges, um dos fundadores do Buscapé, queria comprar um aparelho, mas não encontrava informações suficientes na web sobre os produtos disponíveis. Era 1998 e quase não existiam sites de busca de preços. Nem mesmo as páginas oficiais das lojas davam referências relevantes sobre o que vendiam. O Buscapé começou a ser desenvolvido a partir da identificação dessa demanda. Na empreitada, ao lado de Borges, estavam os amigos Romero Rodrigues, Ronaldo Takahashi e Mário Letelier. A aposta dos quatro deu certo e, hoje, o site é líder em decisão de compras na América Latina.

A história, no entanto, não foi tão fácil ao longo dos 15 anos da empresa como parece quando é contada. Uma das dificuldades enfrentadas pelo grupo foi a gestão de custos, principalmente depois da Bolha da Internet estourar. A solução foi frear os gastos e começar a poupar. “Entendemos que o Buscapé precisaria realizar diversas rodadas de investimento até alcançar o equilíbrio e só conseguiríamos chegar nas próximas fases se cuidássemos de cada centavo como se fosse o último”, explica Rodrigues, que é hoje CEO do Buscapé.

Uma das rodadas de investimentos culminou na venda de 91% da empresa para a sul-africana Napsters, por US$ 342 milhões. A explicação para essa decisão parte de um princípio muito senstao. “Não teríamos mais fôlego para dar continuidade ao nosso plano se não atraíssemos um investidor do porte da Naspers, que tem uma enorme capacidade de impulsionar empresas de mídia, como é nosso caso”. Ele destaca, no entanto, que a sinergia tanto com a empresa sul-afriana como com outros investidores é baseada em uma premissa: nenhum dos sócios quer sair do negócio (hoje, dos quatro fundadores, três permanecem ativamente na operação do Buscapé). “Mais do que o valor negociado, o importante sempre foi crescer com o apoio de investidores que percebessem nossa paixão pelo negócio e não a paixão pelo capital”.

Para o CEO, essa maneira de ver a empresa é essencial para conseguir captar bons investidores, principalmente nos tempos de hoje quando o segmento é mais concorrido e o capital é mais seletivo do que na época de ouro da web. “A melhor estratégia é sempre acreditar no impossível. Não chegamos onde estamos da noite para o dia, mas sempre procuramos enfrentar um dia e um desafio de cada vez. Nunca deixamos de acreditar e, com certeza, não ter jogado a toalha valeu a pena”.

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Alexandre Canatella, CEO da E-Mídia: “Você precisa gerar dinheiro com pouco dinheiro”

As primeiras receitas publicadas no Cybercook vieram da mãe, da tia e de amigos dos seus fundadores, Alexandre Canatella e Luiz Lapetina. Fundado em 1997, o primeiro empreendimento da e-Mídia nasceu um pouco por acaso, sem muitas ambições de virar negócio. Mas virou. Hoje, a empresa atinge mais de 8 milhões de usuárias únicas por mês, com seus quatro sites: CyberDiet, VilaMulher, Cybercook e Mais Equilíbrio.

Foi um ano depois da fundação do Cybercook, quando tinha 24 anos, que Canatella, hoje CEO da E-Mídia, começou a tirar seu terno do armário para conversar com investidores. Em pouco tempo, fecharam uma rodada de investimentos de R$ 1 milhão – dinheiro que, segundo ele, era o bastante para aquele começo de empresa. “Muita gente captou R$ 3 milhões, R$ 5 milhões. Esses valores faziam o cara errar mais”, diz. De acordo com o CEO, com muito dinheiro em caixa, as empresas gastam mais, construindo estruturas da noite para o dia. “Com os altos gastos, projetos bons se inviabilizaram. Não foi o nosso caso e isso nos ajudou a ultrapassar a Bolha da Internet”, diz.

O controle e a gestão dos gastos é uma das lições destacadas por Canatella para os donos de startups. “Você precisa gerar dinheiro com pouco dinheiro. Com pouco dinheiro investido, você consegue comprovar que realmente o seu mercado existe”, diz.

Além disso, o CEO recomenda não criar despesas sem um horizonte de receitas possível. “Lembro que, quando fundamos o Cybercook, a imprensa falava muito sobre o surgimento de uma nova economia. No final, essa nova economia nunca existiu. As receitas tiveram de continuar a estar sempre equilibradas com despesas para que qualquer empresa conseguisse sobreviver”.

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Flávio Jansen, co-fundador do Submarino e CEO do Locaweb: “Busque uma categoria onde a concorrência não seja tão acirrada”

Para Flávio Jansen, ele e seus sócios na fundação do Submarino, Antonio Bonchristiano e Marcelo Ballona, tomaram três decisões bastante acertadas na criação do site de compras. A primeira de todas, e talvez a mais importante, foi escolher entrar numa área onde a concorrência no mercado era pequena. “Vimos que era um segmento onde existiam poucas empresas atuando. Assim, conseguimos captar dinheiro e juntamos um bom recurso financeiro”, afirma.

A segunda boa decisão do trio foi preferir criar um estoque próprio de produtos ao invés de depender de fornecedores. Por último, e como uma consequência dessa última escolha, eles priorizaram a agilidade do serviço em suas operações. Fundado em 1999, o Submarino foi lançado como o maior site de vendas de livros, CDs e Brinquedos nas nações de língua portuguesa. Atualemente, a startup faz parte da B2W, companhia líder no segmento de vendas on-line do Brasil, que também é integrada pelas Americanas.com.

Apesar de o site ser referência em comércio eletrônico, Jansen diz que não criaria o Submarino nos dias de hoje. “Já tem muita gente fazendo isso. Estamos em outro cenário. Provavelmente, eu buscaria uma área onde a concorrência não fosse tão acirrada”, diz. Segundo o empresário, a tendência é que as empresas atuem em nichos cada vez mais específicos. E é preciso escolher, entre eles, o que mais se tem afinidade. “Opte por uma área que você goste e conheça. Não vá na onda do que está na moda”, diz.

Hoje, à frente da Locaweb, ele diz que uma das principais lições que aprendeu foi olhar para o perfis necessários na empresa. “É preciso olhar quais são as pessoas adequadas para determinado momento da companhia”, afirma. Jansen diz isso por experiência própria. “Os fundadores da Locaweb decidiram sair do dia a dia da startup quando perceberam que não eram as melhores pessoas para ficar lá naquele momento. O foco é na necessidade da empresa”, diz.

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Paulo Humberg, CEO da A5 digital: “Adquira conhecimento”

Quando decidiu sair de seu emprego como superintendente de marketin nas Lojas Americanas, em 1995, Paulo Humberg teve uma conversa difícil com o sogro. “Falei que ia trabalhar na Internet. Ele procurou a minha mulher para perguntar se eu havia enlouquecido”, diz. Apesar da apreensão da família, quatro anos depois, ele fundou o Lokau,o primeiro site de leilões do Brasil.

Desde aquela época até hoje, o empreendedor não quis saber de negócios longe da web. Hoje, com 54 anos, seu nome está associado à fundação das startups Elefante, ClickOn e BrandsClub, além do Lokau. Um detalhe curioso: todas essas empresas foram vendidas. Humberg é conhecido no mercado, inclusive, por esse movimento: criar empresas de sucesso e depois vendê-las.

Hoje, o empreendedor está à frente da A5 TMT, fundo de investimentos que financia projetos em tecnologia, mídia, entretenimento e telecomunicações. Parte de seu trabalho é aconselhar os novos empreendedores e uma das dicas que ele dá e investir na própria educação. “Quando uma pessoa decide que quer empreender, essa decisão é encarada melhor pelo mercado quando ela já trabalhou em uma consultoria, fez uma faculdade e tem alguma formação em negócios”, afirma.

É com esse conhecimento, segundo Jansen, que é possível enxergar e determinar as reais deficiências do mercado e as necessidades dos consumidores. “Você precisa saber se aquilo é apenas uma febre ou se é algo real. Se for algo real, aí sim você constrói seu sonho em cima disso”, diz.

Fonte: Época

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