Stelleo Tolda, De Wall Street ao shopping virtual

em set 02, 2014:por

Redação Next Ecommerce

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Com apenas 17 anos, Stelleo Tolda deixou o Brasil e embarcou rumo à Universidade Stanford, uma das cinco melhores dos Estados Unidos, localizada no Vale do Silício. Alunos e professores de Stanford são responsáveis pela criação de empresas inovadoras e bem sucedidas, como Hewlett-Packard (HP), Google e Yahoo. Mas, naquela época, meados dos anos 1980, os brasileiros pouco conheciam a reputação de Stanford e o “tal” Vale do Silício.

Stelleo não teve nenhuma ideia de start up brilhante durante seus anos de graduação em engenharia, mestrado em robótica ou MBA em finanças. Ele tinha planos sólidos. Ser o rei de Wall Street era um deles. Hoje é COO regional e co-fundador do MercadoLivre, cuja receita líquida foi de 115 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2014. Alguma coisa aconteceu no meio do caminho. Mas não dá pra dizer que seus planos não deram certo.

O menino carioca Stelleo Tolda passou os anos do ensino médio e fundamental em colégio americano. O pai era português, mas brasileiro de coração. A mãe, baiana. O casal achou interessante matricular o filho em uma escola que ensinasse em inglês. Intuição de pai e mãe não falha, mesmo quando a iniciativa parece ousada para a década de 1970. O aluno de notas acima da média também tinha um dom natural de se dar bem com todo mundo. “Sempre me relacionei bem, sem puxar o saco. Além disso, eu tinha uma curiosidade de entender as coisas. Hoje percebo que esses dois fatores ajudam em uma carreira empreendedora”, comenta Tolda. Lá atrás, tudo que ele percebia era que gostava das ciências exatas. Nenhuma profissão chamava sua atenção.

A influência americana na escola o levou a buscar uma graduação nos Estados Unidos. Após preencher folhas e mais folhas de papel dos formulários de aplicação das universidades, Stelleo foi aceito em Stanford, na Califórnia, no famoso Vale do Silício. A região ainda não era tão reconhecida no Brasil, mas tinha o respeito dos americanos há anos. Dois alunos contribuíram bastante na construção dessa reputação ao fundarem uma gigante da tecnologia, em 1939: a Hewlett-Packard ou simplesmente HP. Quase meio século depois, em 1985, Stelleo trocou a praia de Ipanema por um dormitório no campus dessa universidade.

O pânico momentâneo sentido ao chegar em Stanford e entender que aquela seria sua realidade pelos próximos anos foi contornado com o conselho simples e eficiente do pai. “Ele me disse: ‘fica tranquilo. Se der errado, daqui a três meses você volta para casa. Não tem problema nenhum’”, lembra Stelleo, acrescentando que essa mensagem o seguiu ao longo da vida durante vários momentos de decisões importantes. “Afinal, você pode fazer seus planos, mas tudo bem se eles mudarem. Na época, isso me deu um grande alívio”, diz.

Diferentemente do que se pode imaginar, o adolescente não virou um super-herói nerd ou encabeçou uma revolução tecnológica. “Minha ideia era estudar engenharia mecânica e depois cursar administração. Eu não via uma carreira longa na engenharia, mas, sim, uma parte da minha formação e aprendizado”. Passados os cinco anos da graduação, em que incluíram também um mestrado em robótica, Stelleo fez sua estreia no Vale do Silício. O recém-formado entrou no mercado de trabalho pela porta da Proxim, companhia que atuava com transmissão de informação sem fio. Sua função era realizar vendas técnicas para empresas interessadas na tecnologia. Até o dia em que Stelleo recebeu a notícia de que seu pai havia adoecido. Com o diploma de Stanford na mala, ele voltou para a vida carioca a fim de ficar mais perto da família.

Já em terras brasileiras, o segundo emprego parecia cumprir sua “profecia” de que ele e a engenharia não caminhariam juntos por muito tempo. Com a indicação de um amigo dos tempos da escola, Stelleo conquistou uma vaga no banco de investimentos Icatu. Mesmo sem ter feito planos para ingressar no mercado financeiro, lá estava ele, sugerindo investimentos para grandes empresas, analisando fusões e propondo aquisições. Além dos novos aprendizados, o cargo ainda apresentava outra grande vantagem. Bem à sua frente, sentava-se sua futura esposa. Três anos depois, o profissional deu outro passo na carreira ao entrar para o time do Pactual. “Eu ainda gostava de tecnologia, mas achava que trabalharia com finanças pro resto da vida. Muitos dos sócios atuais do BTG Pactual já estavam lá naquela época. Eu poderia, naturalmente, ser um deles”, reflete.

A vontade de aprofundar-se na teoria da sua nova área de atuação fez com que Stelleo buscasse um MBA em finanças fora do país. “É uma decisão difícil porque você está crescendo profissionalmente e precisa desviar a carreira. É uma aposta”, enfatiza. Mais uma vez, ele preencheu diversos formulários para diferentes universidades e, mais uma vez, embarcou rumo a um dos campus mais desejados do mundo: Stanford. Isso aconteceu em 1997, quando o aluno Jerry Yang já havia apresentado o Yahoo ao mundo. Nessa mesma época, outros dois estudantes de Stanford, Larry Page e Sergey Brin, trabalhavam na criação do Google, fundado em 1998. “Já tinha passado a revolução dos computadores e agora era a revolução do mundo conectado”, afirma.

No entanto, a atenção de Stelleo não estava voltada para ideias geniais que utilizavam a internet. Não à toa, seu estágio do MBA foi no Merrill Lynch, em Nova York. Já no último trimestre do curso, os alunos foram presenteados com a quarta-feira livre. Uma espécie de ócio criativo. O brasileiro tirava esse dia para estudar e participar de grupos de estudo. Já o argentino fanático por golfe, Marcos Galperin, aproveitava para aprimorar suas tacadas no campo da universidade. De repente, Stelleo começou a encontrar Marcos rodeado por livros na biblioteca, em plena quarta-feira. “Ele me disse que estava estudando para lançar uma empresa de internet, mas ainda não podia explicar muito porque era confidencial. Foi aí, sem saber, que escutei pela primeira vez o que era o Mercado Livre. Nessa mesma época, o Ebay tinha aberto capital”, pontua. A história parou por aí. O MBA acabou, Stelleo e a esposa deixaram a ensolarada Califórnia e voltaram para Nova York. “Minha ideia era fazer uma carreira em Wall Street. Fui trabalhar no Lehman Brothers”, conta.

Em uma sexta-feira à tarde, no final de 1999, o executivo dirigiu-se a outro andar do escritório para bater um papo com um colega brasileiro. “Ele me disse que havia estado na América Latina para conhecer empresas de internet. Era o início da internet comercial. O Brasil já tinha Submarino, Americanas, Buscapé, Cadê e Uol”, afirma. Como resultado da viagem de prospecção de projetos inovadores, o colega de Stelleo produzira um livreto com o resumo de cada uma das empresas encontradas. Ao folhear o material, lá estava o Mercado Livre. “Comentei que havia estudado com o fundador e ele respondeu que o Marcos Galperin estaria no Lehman Brothers naquela tarde, com o objetivo de levantar recursos para a empresa. Pedi para participar da reunião”, lembra Stelleo, surpreso com a coincidência.

A forma apaixonante como Marcos expôs sua ideia sacudiu os planos de Stelleo. “No caminho de casa, fui pensando que ele estava fazendo uma coisa legal, enquanto eu estava em um banco grande, que demora um tempo para atingir certa senioridade”, expõe. Quando ele decidiu compartilhar a ideia de largar tudo e tentar a sorte no Mercado Livre, sua esposa não teve dúvida: Stelleo estava louco. Sem esperar a poeira baixar e aproveitando que Marcos ainda estava em Nova York, ele ligou. Após o telefone tocar, tocar e tocar, Marcos atendeu. “Quero trabalhar contigo”, disse Stelleo. “Quê? Ficou louco? Calma aí. Preciso falar com o outro sócio. Depois nós falamos”, foi o que ele ouviu de resposta. E passaram duas semanas.

Claro que a história teve final feliz. Quando Marcos finalmente retornou a ligação, a proposta era a de Stelleo tocar a operação do Mercado Livre no Brasil. Seguindo aquele conselho do pai, proferido antes do primeiro dia de aula em Stanford, ele decidiu tentar. “Se der errado, daqui a um ano você volta para casa. Não tem problema nenhum”, diria o pai. Foram dois anos sem faturamento com o negócio de leilão de produtos usados. O mesmo acontecia com os concorrentes Arremate, eBazar e Local. De fora, tudo parecia ir bem para todas. Comercial na televisão, banners online e negócio em expansão. “Era tudo dinheiro de investidor”, comenta o atual COO regional do Mercado Livre. Em 2000, a estratégia de cobrar comissão finalmente entrou em ação. De lá pra cá, outros serviços foram sendo agregados, como logística, meio de pagamento, além das lojas virtuais de produtos novos.

Hoje em dia, são mais de US$ 7 bilhões gerados por ano com 80 milhões de transações realizadas nos 13 países de atuação do Mercado Livre. O Brasil representa metade desse valor. O ritmo de crescimento não desacelera, mostrando aumento de 20% ao ano. Se alguém está em busca dessa fórmula do sucesso na internet, Stelleo vai logo dando seu conselho. “Nunca é só uma ideia. A ideia é uma parte e talvez a menos importante. Na maioria das vezes, você pode até fazer algo que já está sendo feito. A questão é a execução. Ter uma equipe boa, com a mesma visão e cuidar da cultura da empresa, do que você quer ser. Não adianta empreender para ficar rico. Dá para perceber quando o negócio é autêntico e a pessoa gosta daquilo que faz. Tem paixão”, conclui.

DE: Avianca

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